Vender férias (abono pecuniário): como calcular e se compensa

O abono pecuniário é a venda de uma parte das férias: o trabalhador converte até um terço do período em dinheiro e continua trabalhando nesses dias. Ele recebe o valor com o terço constitucional, e o dinheiro entra isento de INSS e Imposto de Renda. Na prática, quem vende 10 dos 30 dias recebe, nos dias em que não descansa, o salário normal mais o abono. Use a calculadora abaixo para ver quanto você ganharia e leia a explicação para decidir se vale a pena.

Calculadora de abono pecuniário (venda de férias)

O abono pecuniário e o terço sobre ele são isentos de INSS e Imposto de Renda. Conferido em 29/10/2026.

O que é o abono pecuniário

A CLT garante ao empregado o direito de converter 1/3 das férias em abono pecuniário. Isso não é um favor da empresa: se o pedido for feito dentro do prazo, ela deve aceitar. O trabalhador com 30 dias de férias pode vender até 10 dias e tirar 20. Quem tem 24 dias de direito, por causa de faltas, pode vender até 8 dias.

Como pedir a venda das férias

O pedido deve ser feito até 15 dias antes do fim do período aquisitivo, que é o intervalo de 12 meses em que o trabalhador adquire o direito às férias. Vale a pena fazer o requerimento por escrito, guardando uma cópia, porque ele serve de prova caso haja discordância. A venda é uma opção do trabalhador, e a empresa não pode obrigar a vender nem proibir o pedido feito no prazo.

Como calcular o abono pecuniário

  1. Defina a base. Salário mais a média de horas extras, comissões e adicionais habituais.
  2. Calcule os dias vendidos. Um terço dos dias de direito, ou seja, 10 dias para 30 dias de férias.
  3. Calcule o abono. Divida a base por 30 e multiplique pelos dias vendidos.
  4. Some o terço. Acrescente 1/3 sobre o valor do abono.

Para um salário de R$ 3.000,00, o abono de 10 dias é de R$ 1.000,00, e o terço sobre ele é de R$ 333,33, o que dá R$ 1.333,33 livres de desconto. Os 20 dias de descanso valem R$ 2.666,67, com o terço, e o total bruto das férias com o abono é de R$ 4.000,00. Com um salário de R$ 5.000,00, o abono sobe para R$ 2.222,23. Quem tem 24 dias de direito e salário de R$ 3.000,00 vende 8 dias e recebe R$ 1.066,67.

Vale a pena vender as férias?

Do ponto de vista financeiro, cada dia vendido paga R$ 133,33 no exemplo, enquanto um dia de salário normal vale R$ 100,00. O dia vendido rende um terço a mais, sem desconto de INSS e de Imposto de Renda. Essa vantagem, porém, tem um custo: você perde o descanso desses dias e ainda acumula cansaço. Algumas situações em que a venda faz sentido:

  • Precisa de dinheiro extra para uma despesa pontual, sem recorrer a empréstimo.
  • Tem poucos planos para o período e prefere dividir os dias de descanso.
  • Quer reduzir dívidas com juros altos, usando um dinheiro que chega sem desconto.

Já a venda tende a pesar contra quem trabalha em ritmo intenso, sem pausa há muito tempo. O descanso faz parte da saúde, e vender férias todo ano pode ser mais caro do que parece. Também vale lembrar que o abono não aumenta o seu 13º nem o FGTS do ano, por ser uma indenização.

Tributação do abono: o que é isento

O abono pecuniário e o terço sobre ele são isentos de INSS e de Imposto de Renda, por serem de natureza indenizatória. O desconto incide apenas sobre os dias de férias efetivamente gozados e o terço correspondente, como mostra o artigo sobre como calcular as férias. É por isso que, ao vender dias, o líquido final sobe, mesmo que o bruto continue o mesmo.

Abono e férias em mais de um período

As férias podem ser divididas em até três períodos, desde que um deles tenha pelo menos 14 dias corridos e os demais, pelo menos 5 dias corridos. A venda de 1/3 pode ser combinada com esse fracionamento, mas o tema exige um acordo claro com a empresa. Em convenções coletivas, as regras de venda e de divisão das férias podem ser diferentes, e vale sempre conferir o documento da sua categoria.

Exemplos de abono por faixa de salário

A tabela mostra o abono de 10 dias, já com o terço, e o valor das férias de 20 dias para quatro salários, sem horas extras e com direito a 30 dias.

SalárioAbono com 1/3 (sem desconto)Férias de 20 dias com 1/3Total bruto das férias com o abono
R$ 2.000,00R$ 888,89R$ 1.777,77R$ 2.666,66
R$ 3.000,00R$ 1.333,33R$ 2.666,67R$ 4.000,00
R$ 5.000,00R$ 2.222,23R$ 4.444,44R$ 6.666,67
R$ 8.000,00R$ 3.555,56R$ 7.111,11R$ 10.666,67

O total bruto é igual ao de tirar os 30 dias, que é o salário mais um terço, com diferença de centavos por arredondamento. A diferença está no que acontece com os 10 dias vendidos: o trabalhador volta ao trabalho e recebe também o salário normal por eles. Assim, o abono é uma renda a mais, que se soma ao salário do mês.

Como conferir o valor no recibo de férias

O recibo de férias deve discriminar as parcelas. Ao receber o documento, confira estes pontos:

  1. Os dias de descanso e os dias vendidos somam o total a que você tem direito.
  2. O terço constitucional aparece sobre as férias gozadas e sobre o abono.
  3. O abono pecuniário está em uma linha separada, sem desconto de INSS e de Imposto de Renda.
  4. Os descontos incidem apenas sobre as férias gozadas e o terço correspondente.

Se algum item estiver diferente do esperado, peça a memória de cálculo antes de assinar. Vale guardar uma cópia do recibo, porque ele é a prova do pagamento em caso de conferência futura.

Erros comuns com o abono pecuniário

  • Perder o prazo do pedido. O requerimento é até 15 dias antes do fim do período aquisitivo.
  • Esquecer o terço sobre o abono. Ele também é devido.
  • Descontar imposto sobre o abono. Ele é isento de INSS e de Imposto de Renda.
  • Vender mais de 1/3. O limite é de um terço dos dias a que se tem direito.
  • Achar que o abono substitui o salário. Quem vende continua recebendo o salário dos dias trabalhados.

Perguntas frequentes

Posso vender todas as minhas férias?

Não. O limite é de um terço do período. Com 30 dias, o máximo são 10 dias.

A empresa pode negar a venda das férias?

Se o pedido for feito dentro do prazo, a empresa deve aceitar, porque a conversão é um direito do empregado. A empresa não pode, porém, obrigar o trabalhador a vender.

Quando o abono é pago?

Junto com as férias, até dois dias antes do início do descanso.

O abono entra na declaração de Imposto de Renda?

Ele é um rendimento isento e não tributável, e deve ser informado na declaração anual na ficha correspondente. Em caso de dúvida, consulte um contador.

Quem vende férias recebe menos no 13º?

Não. O abono não reduz o 13º. O que muda é que ele não aumenta nenhuma outra verba, porque é uma indenização.

Continue calculando

Veja também como calcular as férias com 1/3, as férias proporcionais na rescisão e o salário líquido.

Última atualização: 29 de outubro de 2026. Abono pecuniário de até 1/3 das férias, isento de INSS e de Imposto de Renda. Conteúdo informativo; veja os Termos de Uso.

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